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terça-feira, 25 de junho de 2013

. Lagarta dá prejuízo de R$ 1,5 bilhão



Agressiva e com apetite voraz, a lagarta Helicoverpa Armigera, que destruiu as lavouras de milho, soja e algodão, causando um prejuízo de 1,5 bilhão em nove municípios do Oeste baiano, avança para vários estados do Brasil, a exemplo de Goiás. Ameaçado de prisão caso autorize a aplicação do Benzoato de Emamectina, único produto comprovadamente eficaz para combater a lagarta, o secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, voltou a alertar para a gravidade da situação.

De acordo com o secretário, o efeito dessa praga para a agricultura é pior do que o efeito da febre aftosa para a pecuária. Salles afirma que a lagarta, além de provocar enormes prejuízos aos produtores, vai causar reflexos nos supermercados, com impactos na inflação. O Benzoato de Emamectina foi importado com autorização do Ministério da Agricultura, mas o registro emergencial, condição exigida pelo Ministério Público, não foi liberado.
Insatisfeito com a morosidade, o secretário voltou a lamentar a insensibilidade do Ministério Público, que moveu Ação Civil Pública contra ele, acatada pela 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Barreiras, que proibiu a aplicação do Benzoato de Emamectina, e determinou a apreensão das 44 toneladas do produto. “O prejuízo no Oeste da Bahia está consolidado e não há como reparar. O que nós temos buscado são condições para que a próxima safra possa acontecer”.
Ainda segundo Salles, tudo será feito para o controle químico, que visa reduzir a população da lagarta. “Vamos entrar com várias ações, entre elas o controle biológico e o manejo integrado da praga, além da utilização de variedades resistentes à praga, a exemplo da soja Intacta RR2, cuja importação acaba de ser autorizada pelo governo da China”. Diante do grave problema, o secretario e representantes de associações agrícolas elaboraram um plano que deverá ser apresentado à presidente Dilma Rousseff.
A decisão de levar o assunto à presidente Dilma Rousseff e aos ministérios da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente foi para expor a gravidade do problema. Temendo os possíveis prejuízos na próxima safra, os líderes dos produtores querem discutir com a presidente a instrução normativa, o registro emergencial e o cadastro desse produto agroquímico.
Efeito da Helicoverpa Armigera
A lagarta Helicoverpa Armigera, registrada na Austrália, Japão, China, Índia e países da Europa, até então era inexistente no Brasil. O aparecimento repentino ainda continua sem explicação. O efeito devastador acontece porque o inseto se multiplica com velocidade. A Helicoverpa possui ciclo de em média 40 dias, multiplicando-se de forma devastadora. Apesar de ainda não existir confirmação oficial, há suspeitas da lagarta em Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Maranhão, Rio Grande do Sul e São Paulo, atacando também o feijão de corda, feijão fradinho e tomate.
“O problema não é mais localizado na Bahia. Trata-se de uma questão nacional, que precisa ser enfrentada com urgência, sob pena de graves consequências”, afirma o secretário Eduardo Salles.

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