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domingo, 15 de dezembro de 2013

Novo laudo do caso Kátia Vargas nega choque entre carro da médica e a moto

"É falso" o depoimento de Arivaldo, principal testemunha de acusação contra a médica Kátia Vargas, presa em Salvador depois de ter sido acusada de lançar o carro que dirigia contra a moto que levava os irmãos Emanuel e Emanuelle, ocasionando a morte dos dois jovens. E em nenhum momento o veículo dirigido pela médica chocou-se com a moto.

Essas são as duas principais conclusões do laudo anexado ao processo nessa terça-feira (10/12) e assinado pelo perito Ricardo Molina, designado pela Justiça para acompanhar o caso. Segundo o novo laudo, nada do que diz a testemunha é confirmado pelas imagens. "Afirma que a moto trafegava próximo ao meio-fio", mas câmeras revelam a motocicleta no meio da pista, destaca Molina.
A testemunha, que estava em um veículo Montana Combo, atrás do Kia dirigido pela médica e da moto com os dois irmãos, "não pode ter visto o que disse que viu, pois estava a uma grande distância do local dos fatos quando ocorreu o incidente", relata.

Molina apresenta, também, conclusões que buscam desqualificar a simulação feita pela polícia técnica, segundo a qual o condutor da moto chocou-se lateralmente com o Kia Sorrento. Segundo ele, o laudo cadavérico não mostra nenhum sinal no corpo das vítimas do lado esquerdo.
A simulação do acidente, feita pelos peritos oficiais está errada, disse o perito em seu laudo, anexado ao processo.


"Observe-se que a garupa foi excluída da simulação", diz o laudo. Se ali estivesse, "sua perna fatalmente se chocaria contra a traseira do Kia", conclui. "Como não há qualquer marca compatível com isto, o Instituto de Criminalística simplesmente omitiu a segunda pessoa na moto".
A posição da pessoa na moto "é fisicamente impossível", assegura. "A cabeça não poderia ter atingido a parte superior do Kia. Na simulação, "a moto tomba para o lado errado", diz Molina, que apresenta um croqui para descaracterizar a possibilidade de a manopla do guidão da moto ter provocado um arranhão que aparece logo acima do pneu traseiro do Kia.


A altura da manopla da moto, representada pela linha verde, fica à altura das maçanetas, "muito acima do ponto onde o IC afirma ter havido um impacto". A alegada compatibilidade do arranhão, segundo ele, "só existe porque foi usada uma moto avariada, com a manopla esquerda mais baixa do que o normal, além de uma pequena ajuda do dublê".

O laudo assinado por Ricardo Molina chama a atenção para o local onde aconteceu o acidente, que chama de "uma verdadeira arapuca para motos", devido à vala que existe junto ao meio-fio.

Tribuna

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