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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Unidos, moradores tentam retomar rotina em Lajedinho: 'voltar para casa'

Moradores de Lajedinho, a 355 km de Salvador, encontraram na união e no trabalho a melhor forma de superar a dor provocada por uma tragédia. O município foi atingido por um forte temporal no dia 7 de dezembro.Ao todo, foram 17 mortos e cerca de 200 famílias desabrigadas. Atualmente, cerca de 600 pessoas continuam desalojadas.
Como mora em uma residência localizada na parte alta da cidade, a agente de saúde Maria das Graças Novaes não foi afetada pela chuva. Mesmo assim, sensibilizada com a situação dos demais moradores, ela decidiu abrigar 15 pessoas na casa onde vive. "Lajedinho é uma família e todo mundo se ajuda. Na hora de dormir a gente coloca os colchões no chão, nas duas salas e todo mundo dorme tranquilo. Na hora de jantar vem uma turma, janta, depois vem outra turma", garante.
Quem perdeu familiares e amigos na enxurrada encontrou na ajuda a melhor forma de voltar a sorrir. "Perdi minha filha, minha irmã, dois sobrinhos, cunhada. Trouxe uma família que tem sido minha alegria", conta a aposentada Nilda Alexandrina.
Os moradores de Lajedinho passam o dia tentando reconstruir a cidade e ajudando as vítimas da chuva. Donativos também continuam chegando de várias cidades. Mas é do carinho e das palavras de conforto que eles tiram a maior força. "Não é só cesta básica, colchão, roupa, mas são palavras, são acolhimentos realmente verdadeiros", revela o professor Flávio Ferreira.
O pedreiro Carlos Oliveira perdeu a filha de 11 anos no temporal. Ele lembra que falou com a menina pela última vez na noite do temporal. "Ela ligou, disse: 'Painho, venha aqui que está entrando água aqui em casa'. Quando desci não deu mais tempo. Cheguei ali na ponte e faltou energia", disse na época. Atualmente, Carlos guarda com carinha a fotografia da filha que encontrou na lama. "Vai ficar só a lembrança de alegria da minha e os momentos bons", conta.
Uma das histórias de superação em Lajedinho é contada pela dona de casa Vera Rodrigues, filha de um idoso de 100 anos que sobreviveu ao temporal. "Até hoje graças a Deus ele não teve nada. Nem febre não teve. Eu só tenho como agradecer. Aquele momento de terror que a gente viveu então hoje nós estamos aqui", comemora. Ela ainda faz uma promessa. "Nós vamos construir tudo que a gente perdeu, a nossa casa. E o que eu mais quero é voltar para minha casa", afirma.
 Chapada Notícias
 

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