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sábado, 12 de julho de 2014

WhatsApp e suas "brincadeiras de mau gosto"

Constantemente surgem no aplicativo para celular WhatsApp imagens íntimas de pessoas comuns. Na maioria dos casos a intenção é difamar o homem ou a mulher com a exposição involuntária de fotos e vídeos. Mas esse tipo de brincadeira pode se configurar como um crime. Fotografias confidenciais são compartilhadas na rede de forma ilegal, muitas delas associando falsamente a imagem a um cidadão.
O caso mais recente é de Ana Paulla dos Santos Melo, de 20 anos. A jovem lagartense ainda vive uma situação desconfortante. Uma foto passou a circular pelo aplicativo e foi associada erradamente ao seu nome. Ela afirmou que está sendo alvo de uma dessas "brincadeiras de mau gosto".
Ana Paulla suspeita de que uma foto foi "pescada" da internet e, por alguma semelhança, foi relacionada como sendo ela a pessoa presente na imagem. A foto é seguida de outra imagem de seu perfil no Facebook na tentativa de relacionar Ana Paulla à fotografia.


Um Boletim de Ocorrência já foi registrado na Delegacia Regional de Lagarto (DRL) e, segundo Ana Paulla, a Polícia Civil já está por dentro do caso, que pode se configurar como um crime cibernético de difamação, resultando em pena de detenção.
Para provar que a foto não tem nenhuma relação com ela, Ana Paulla cita que a imagem mostra uma mulher com uma tatuagem no tornozelo direito. "Eu não tenho nenhuma tatuagem na perna", esclareceu a jovem, pedindo para que as pessoas evitem compartilhar as fotos.
Ela não foi a primeira jovem do município de Lagarto vítima de um crime do gênero. Em 2013, diferente de Ana Paulla, jovens lagartenses tiveram fotografias verdadeiramente suas espalhadas pelo WhatsApp. Nas imagens, as garotas aparecem mostrando os seios.
Até o Portal Lagartense já foi alvo das "brincadeiras" ao ter uma notícia falsa veiculada no WhatsApp relacionada ao nome do portal. A mensagem informava um roubo que não existiu ocorrido numa lanchonete e trazia como divulgador do noticioso falso o Portal Lagartense.
Em Itabaiana, o caso de mulheres difamadas no WhatsApp ao terem fotos e nomes divulgados num vídeo intitulado "As Mais Rodadas" ganhou grande repercussão. A brincadeira também aconteceu em Frei Paulo (SE), mas desta vez um suspeito acabou confessando a autoria do vídeo, após ser interrogado pela polícia.
Autores de crimes cibernéticos de difamação podem responder na Justiça perante o artigo 139 do Código Penal e com pena agravada conforme artigo 141, III, do Código Penal, pelo uso de meio que facilite a divulgação. As penas podem chegar a um ano e quatro meses de detenção, além de eventuais indenizações por danos morais causados às vítimas na esfera cível, cujos valores dependem da extensão do dano.

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