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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Irmãos se reencontram 50 anos depois





Fernando, Edvaldo e Arlindo - irmãos não se viam há 50 anos

Nem só de tragédia, crime e política vive esse portal de notícias. A tarde desta segunda-feira (26) foi de fortes emoções tanto para os irmãos Cerqueira quanto para nós que fazemos o Portal Lagartense.
Vocês lembram que na ultima terça-feira, exatamente há uma semana, nós publicamos a história de Edvaldo, de 65 anos, que veio dirigindo de São Paulo em busca do padrasto e de dois irmãos que ele não via há precisos 50 anos? Se não, leiam aqui antes de prosseguir.


Na mesma terça, sem muita expectativa, Edvaldo seguiu para a cidade de Arapiraca, terra natal de sua atual esposa e pretendia ficar por lá até o próximo dia 1º de fevereiro só para não dizer que não nutria esperanças de obter notícias sobre os irmãos que ele não via desde que tinha 15 anos de idade.
Ninguém se atreveu a prever que essa história haveria se resolver em menos de 24 horas. Porque no mesmo dia em que fora publicada a matéria, uma das noras de Fernando, irmão de Edvaldo, acessou este site como faz diariamente para conferir as atualizações. Ela se surpreendeu quando leu na matéria de capa que aquele moço procurava por pessoas que não poderiam ser outros que não fossem o avô, o tio e pai do marido dela. Porém deixou para dar a notícia na próxima reunião familiar que aconteceu no sábado (24) pela manhã na casa do sogro.
Essa saga tem pontos tão interessantes que um deles nos chamou a atenção de imediato. É que seu Edvaldo, no trajeto de Estância para Lagarto, jamais imaginaria que passaria em frente à casa de Arlindo, um dos seus irmãos, que reside no povoado Matatas, também no município de Salgado. Ele inclusive almoçou num restaurante da cidade e chegou a perguntar a funcionários do posto se existia um povoado de nome "Saco Furado", que era então a única pista de paradeiro dos seus familiares. Só esqueceu de citar o nome dos irmãos que são dos mais populares naquela comunidade.
Ao ler atentamente a matéria, Fernando não teve dúvidas, Edvaldo era o irmão que ele jamais havia conhecido, pois só tinha menos de um ano de idade quando foi trazido pelo pai, seu Sinhozinho, para o povoado e dalí nunca mais saiu.
Só aos oito anos de idade ele atentou para o fato de não ter uma mãe como os demais amigos. E começou a questionar o pai, que afirmava que ela estava viva, que morava em terras distantes, mas que um dia levaria ele e o irmão para conhecê-la. Esse dia nunca aconteceu. Tanto Fernando quanto Arlindo deixariam de cobrar a promessa feita pelo pai. Depois da morte de seu Manoel, em 2004, vitimado por um infarto aos 72 anos, é que veio a certeza de que nunca chegariam a conhecer a mãe que eles só tinham como referência o nome que estava escrito no documento de ambos.
Eles acreditavam que ela também já não estivesse mais nesse plano. Mas de repente na tela do computador estava o telefone de contato do irmão que veio de longe pra abraçá-los. Fernando ligou assim que leu a publicação, mas o tal número de São Paulo estava impossibilitado de receber chamadas. Porém haviam mais dois números. Quem atendeu foi a sogra de seu Edvaldo, que naquele momento não se encontrava na cidade.
Alheio ao que estava acontecendo, pois tinha ido conhecer uma das praias do litoral alagoano. A sogra ao ouvir aquela novidade, tratou de ligar para um dos amigos do genro, que minutos antes comentou que pensava em antecipar a volta pra São Paulo. Mas a ligação da dona Josefa mudou o rumo e mudaria a vida dali por diante.
Sem demora ele tentou retorno para o irmão, mas também não conseguiu sinal. Só às 19h do sábado é que finalmente o primeiro contato foi possível. Edvaldo ligou para o telefone do sobrinho, que havia contatado também a reportagem do Portal Lagartense e aí ele pode falar tanto com Fernando quanto com Arlindo. Poucas perguntas foram necessárias para ele ter a certeza de que a busca havia terminado. Encharcou o celular com lágrimas.
Lá na Água Fria a emoção era compartilhada pr todos. Fernando disse que a ansiedade do reencontro lhe proporcionou uma insônia que ele nunca teve. O encontro foi marcado para o meio-dia desta segunda-feira (26) e ele angustiado disse que o tempo nunca passou tão lento, de repente o dia parecia ter 48 horas.
Na hora marcada Edvaldo batia na porta do irmão que não não esperou em casa, porque já estava acompanhado de Arlindo no restaurante do posto aguardando por ele. Quem o levou até lá foi uma sobrinha que estava tão ansiosa quanto ele.
E às 11h terminava com uma abraço e muitas lágrimas uma espera involuntária de meio século. Quem presenciou a cena jura que aqueles homens já se conheciam desde sempre e que estavam distantes a bem menos tempo. Laços de sangue são assim mesmo. Imediatamente Edvaldo ligou para a mãe deles. E foi aquele "chororô" que comoveu a todos no restaurante.
Por motivos de desencontro de informações a nossa reportagem não pôde estar presente neste segundo ato. Em compensação, Edvaldo tratou de ligar para nossa redação e combinou de vir agradecer e apresentar a sua família pessoalmente. E assim cumpriu.
Transbordando gratidão e elevando nossa equipe de jornalistas para anjos, ele afirmou que perderia tempo procurando por programas de TV. Disse ainda que o companheiro Adriano Alves, radialista da Ilha FM, havia lhe recomendado o local mais certo de todos. Fazer este caminho estava nos seus objetivos de vida, e ele haveria de cumprir uma promessa que fizera para sua mãe anos atrás, de pelo menos vasculhar a região de Sergipe, que o ex-companheiro dela mencionava. "Deus me disse: vai lá, filho, que a hora é essa".
Quem não está se aguentando de felicidade e ansiedade é Dona Clotilde, que está em São Paulo, querendo voar para ver esses eternos meninos que ela não pôde manter junto a ela naqueles tempos difíceis. Ela não vai precisar criar asas, nesse momento as netas estão providenciando o primeiro avião para Sergipe.
LEGENDA: Kiko Monteiro, Fernando, Edvaldo e Arlindo.

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